28/09/2018

Dívida de aposentados e servidores públicos com consignado sobe R$ 15,3 bi em 2018


Aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e servidores públicos estão mais endividados neste ano com o crédito consignado — modalidade de empréstimo com desconto em folha de pagamento. De acordo com dados do Banco Central (BC), a dívida dos aposentados cresce mês a mês e, entre janeiro e agosto deste ano, o volume de crédito subiu e chegou a R$ 125,6 bilhões em agosto, contra R$ 117,7 bilhões em janeiro (alta de R$ 7,9 bilhões).

Os servidores também acompanharam o nível de endividamento com o consignado. Em agosto, o volume da dívida chegou a R$ 183,7 bilhões, frente a R$ 176,3 bilhões contratados até janeiro — alta de R$ 7,4 bilhões.

Somando os aumentos do volume de empréstimos a aposentados do INSS e funcionários públicos, em 2018, chega-se ao montante de R$ 15,3 bilhões (crescimento da dívida).

No ano passado, o INSS, por meio do Conselho Nacional de Previdência (CNP), alterou a resolução que regulamenta a concessão de empréstimos consignados a segurados do instituto. A mudança ampliou de seis para nove a quantidade máxima de contratos ativos permitidos para crédito com desconto em folha.

O órgão não alterou, porém, a chamada margem consignável. Com isso, o aposentado continua podendo comprometer até 35% da renda mensal com o pagamento da parcela do consignado, sendo 30% por meio do empréstimo comum e 5% por meio do cartão de crédito, modalidade criada em 2015.

Mesmo com as facilidades desse tipo de empréstimo e as taxas de juros menores — atualmente a média é de 2% — em relação a outras modalidades, as operações devem ser feitas com cautela. Antes de assinar qualquer contrato de empréstimo e assumir uma dívida, o consumidor deve sempre analisar se realmente precisa do dinheiro.

— Muitos aposentados, por exemplo, além dos gastos mensais, costumam ajudar a família, o que faz com que busquem o consignado para ter uma renda complementar. Mas é preciso que, antes de assumir dívidas, o cliente faça as contas para avaliar a real necessidade do empréstimo, pois uma facilidade pode gerar dor de cabeça para quem não tem organização financeira — destacou Reinaldo Domingos, especialista em educação financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

Cuidados para quem tem consignado

As taxas de juros do consignado estão em trajetória de queda, e o consignado segue como a linha mais barata do país para o crédito pessoal. Nesta modalidade, o banco abate as parcelas diretamente do salário do cliente. O desconto em folha, portanto, reduz o risco de calote para a institutição financeira.

De acordo com dados do Banco Central (BC), enquanto as linhas de empréstimo pessoal tradicionais têm juros que podem chegar a 22,2% ao mês, as do consignado variam entre 1,22% e 6,27% ao mês.

Contas em dia

Embora as taxas ainda sejam as mais baixas, o empréstimo consignado também requer a atenção de quem está interessado. O principal cuidado é com o planejamento. Como o banco cobrará as parcelas diretamente da folha salarial, o tomador do crédito não pode se esquecer de que o rendimento não será mais integral, tendo que adequar seus gastos à nova realidade.

De olho no extrato

O consumidor deve observar se há desconto em sua conta-corrente de valor correspondente à parcela, além do que já vem debitado de seu benefício. Se o banco tiver feito o desconto do valor em conta, o cliente tem direito de pedir que o dobro seja depositado, com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Depósito

O valor do empréstimo deverá ser creditado diretamente na conta em que a pessoa recebe o benefício. Caso o pagamento de benefícios seja na modalidade cartão magnético, o depósito deverá ser feito na conta-corrente ou na poupança da qual o beneficiário também seja titular ou por ordem de pagamento depositada na agência em que o segurado recebe do INSS

Pagamento

Por se tratar de uma operação de concessão de crédito, o cliente tem direito ao abatimento proporcional de juros e encargos, caso opte pela antecipação de parcelas do consignado.

Fonte: Extra


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