21/11/2019

Antes do diagnóstico, Alzheimer pode representar risco financeiro!


Há maiores chances de o paciente estar tomando decisões equivocadas por causa da doença.

Pacientes que se encontrem nos estágios iniciais da Doença de Alzheimer apresentam um risco maior de reveses financeiros. Trata-se de uma consequência de decisões equivocadas, provocadas pela enfermidade, no manejo do dinheiro. No entanto, como ainda não há o diagnóstico, os enganos não chamam a atenção dos que estão à volta da pessoa. As chances de o indivíduo se tornar vítima de fraudes ou algum tipo de exploração também aumentam, de acordo com um estudo inquietante publicado no fim do mês passado na revista “Health Economics”.

“Trabalhos anteriores mostram que, no início do Alzheimer, as pessoas já perdem sua habilidade de cuidar do dinheiro. Por exemplo, ter controle de cheques e débitos feitos com cartão, ou pagar contas. Há também mudanças nos gastos habituais”, explica a economista PhD Carole Roan Gresenz, professora de administração de sistemas de saúde da Universidade de Georgetown (EUA).

O Alzheimer normalmente só é diagnosticado quando os sintomas se tornam mais aparentes, mas sua progressão envolve um processo de declínio cognitivo que se agrava ao longo dos anos. A equipe da doutora Gresenz queria investigar seu impacto no orçamento durante o período que antecede o diagnóstico. Para isso, utilizou duas importantes fontes de dados: um amplo estudo longitudinal de norte-americanos acima dos 50 anos, que é conduzido pelo Instituto Nacional de Envelhecimento (National Institute on Aging) e inclui informações sobre os bens e ativos financeiros das pessoas; e registros do Medicare, o sistema de seguros de saúde gerido pelo governo dos Estados Unidos, que identifica a data da confirmação da doença.

“Ao cruzar os dados, pudemos mapear o que aconteceu antes do diagnóstico. Descobrimos que, nas famílias onde havia alguém nos estágios iniciais do Alzheimer, aumentava a vulnerabilidade em relação a perdas até substanciais de ativos e economias. Esses são achados preocupantes, porque há danos financeiros justamente no período anterior a uma fase em que as famílias vão precisar de recursos adicionais, já que a doença demanda gastos extras”, completou a pesquisadora.

O passo seguinte do trabalho será tentar identificar que tipo de decisões relacionados ao dinheiro são mais frequentes nessa etapa, para que sirvam de subsídio para ações governamentais e de instituições financeiras para reduzir a vulnerabilidade desse grupo.

Fonte: Bem Estar - G1


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