06/02/2020

Custo impede que mais indústrias ofereçam plano de saúde aos funcionários


O custo é a principal razão para que médias e grandes indústrias não ofereçam planos de saúde a seus funcionários. Conforme o Diagnóstico de Saúde Suplementar nas Empresas Industriais realizado pelo Serviço Social da Indústria (SESI), um quarto das 1.006 empresas ouvidas não disponibiliza o benefício - 61% delas apontam o alto valor como a causa.

Em média, o plano de saúde representa 13,1% da folha de pagamento da indústria brasileira e esse custo sobre além da inflação. Enquanto, em 2018, o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 3,75%, o reajuste médio anual dos planos atingiu 10,1%.

Para conter a escalada dos preços e manter a qualidade da cobertura, as empresas apostam na gestão integrada do plano de saúde com as políticas de saúde e segurança no trabalho. Segundo a pesquisa, 56% das indústrias ouvidas e que oferecem planos já fizeram essa integração.

Por meio do uso de inteligência na gestão de dados de saúde dos funcionários, por exemplo, as indústrias conseguem mais efetividade nas ações de promoção da saúde, na prevenção de doenças e na redução de desperdícios e uso indiscriminado na utilização dos planos de saúde. “Essa integração permite a construção de iniciativas mais assertivas para combater as principais causas de sinistralidade dos planos e de afastamentos de trabalhadores”, avalia o diretor-superintendente do SESI, Rafael Lucchesi.

O exemplo de Porto Rico

O assunto foi debatido neste ano durante o 2º Seminário Internacional SESI de Saúde Suplementar, em São Paulo, com o tema central O Papel das Empresas Contratantes de Planos de Saúde na Transformação do Sistema de Saúde. O evento apresentou experiências internacionais bem-sucedidas, como o Plano de Inovação em Saúde de Porto Rico. Por lá, um projeto com foco no tratamento do diabetes gerou redução de custos, melhoria nos diagnósticos e oferta dos recursos adequados aos pacientes corretos.

A experiência apresenta um caminho que permite avançar em direção à mudança do modelo de prestação de serviços de saúde, hoje baseado em volume (quantidade de procedimentos), para serviços baseados em valor (melhor saúde e menores custos). Foco em atenção primária, integração de dados e de atendimento, prevenção e mudança na mentalidade de usuários e médicos podem ajudar a percorrer esse trajeto até um formato mais acessível e eficiente.

De acordo com o gerente-executivo de Saúde e Segurança na Indústria do SESI, Emmanuel Lacerda, o sistema de saúde suplementar é complexo e há necessidade de envolvimento de todos os interessados para que haja solução efetiva que garanta a sua sustentabilidade. O SESI tem um acordo de cooperação com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para buscar formas de aprimorar o modelo atual. A entidade também lidera o Grupo de Trabalho em Saúde Suplementar (GTSS), integrado por empresas contratantes, para atuar em frentes como a da gestão de tecnologias de saúde.

Fonte: G1


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