25/03/2020

Veja 4 passos para organizar as finanças na crise


Com o agravamento da crise do novo coronavírus no país e a adoção de medidas de contenção por chefes dos Executivos estaduais e federal, o brasileiro certamente vai passar por desafios nesse período de quarentena, ainda mais quando o assunto é dinheiro.

O sufoco para aqueles que se prepararam financeiramente vai ser menor. Essa, porém, não é a realidade da maioria dos brasileiros.

Levantamento divulgado nessa terça-feira (24/03) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que mais da metade (52%) das pessoas não têm o hábito de poupar.

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, explica que a poupança, que deveria ser um hábito, agora faz falta em momentos de crise.

“Essa crise que a gente está vivendo do coronavírus é algo que um mês atrás era inimaginável. Isso mostra como é preciso ter uma reserva para poder lidar com esses imprevistos”, comenta.

Sente e respira

Não é hora de se desesperar. O impacto econômico, como o aumento do número de desempregados e o fechamento de empresas, por exemplo, já é previsto por especialistas. Então é hora de se (re)organizar.

“Desespero não adianta de nada. O brasileiro precisa ter cabeça fria”, recomenda Marcela Kawauti.

Junto a especialistas em educação financeira, o Metrópoles elaborou quatro passos para que o brasileiro aproveite o tempo de quarentena e passe pelo menor período de dificuldades possível.

1º – Receitas na ponta do lápis

Você sabe quanto ganha? O primeiro passo a ser dado é colocar no papel todas as receitas do mês. Com isso, fica muito mais fácil de entender os impactos causados nas finanças pessoais.

O consultor financeiro da consultoria de finanças pessoais Plano, Ricardo Hiraki Maila, explica que a ação é importante porque cada pessoa tem uma realidade.

“É preciso saber qual que é a receita e se existe a possibilidade de ela ser reduzida ao longo das próximas semanas”, detalha.

2º – Despesas também no papel

Como as receitas, as despesas também devem ser listadas. É hora de sentar e ver quais são os gastos que será preciso fazer durante esse período apertado.

O planejador financeiro CFP da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), Leonardo Gomes, explica que gastos com diversão, como cinema, viagens e shopping, devem diminuir naturalmente.

“A compra por impulso, quando a pessoa vê algo e logo compra, também se reduz. Avalio que as economias mensais podem chegar a 30% neste período”, diz.

Por outro lado, crescem as despesas domésticas, como água e luz.

3º – Bole um plano

Com os gastos e ganhos no papel, é possível se ter uma boa dimensão de qual a necessidade do atual momento.

Ricardo explica que, para quem não se planejou e não tem qualquer reserva financeira, vai ter que procurar soluções, como aproveitar medidas dos governos e de bancos, por exemplo, que decidiram adiar o prazo das dívidas.

“É possível fazer cortes, mas é preciso ter cuidado. para as pessoas mais simples, quase não existem possibilidades”, diz.

“Para não se usar o cheque especial, que é uma das últimas opções, saiba quando vai precisar gastar, por exemplo, para não pegar um crédito a toa”, complementa Leonardo Gomes.

4º – Fica a lição

Leornado, da Planejar, recomenda ainda aproveitar a situação para rever o conceito do que é prioridade. “Veja o quanto vale ter uma reserva financeira nesses momentos”, comenta.

“As pessoas precisam entender a importância de se ter uma reserva financeira e um bom planejamento. É importante para governos, pessoas e empresas”, complementa Ricardo.

A economista Marcela Kawauti destaca também a necessidade de o brasileiro repensar os investimentos.

Segundo a pesquisa CNDL/SPC Brasil, 62% que costumam economizar optaram investir na poupança. No ano passado, contudo, rendeu menos que a inflação do ano, ou seja, serviu apenas para garantir parte do poder de compra do dinheiro investido.

“O tipo de investimento depende do tempo. A reserva para imprevisto deve ser colocada principalmente no Tesouro Selic ou em CBDs com liquidez diária”, completa Kawauti.

Fonte: Metrópoles


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