08/10/2020

Governo prevê que fila da perícia nas agências do INSS só vai diminuir no fim do ano


Milhares de segurados do INSS ainda não conseguiram atendimento três semanas depois de a Secretaria Especial da Previdência ter ordenado o retorno dos médicos peritos ao trabalho. O governo agora fala em diminuir a fila por perícia só no fim de 2020.

Em Aracaju, duas agências do INSS estão fazendo perícias. Mas dos 23 médicos peritos, apenas oito voltaram ao trabalho. Em Sergipe, 24 mil pessoas aguardam uma perícia. Um deles é o marido de Nair, que precisa receber o auxílio-doença.

“A gente mora de aluguel. Precisamos que ele seja avaliado por essa perícia para quitar as dívidas e dar tudo certo”, conta a autônoma Nair Melo.

O último balanço do governo mostra que, dos pouco mais de 1.137 peritos que estão aptos a trabalhar presencialmente, 910 estão indo às agências do INSS. Na segunda-feira (5), realizaram 8.801 perícias. Mas esse número de atendimentos ainda é muito pequeno.

No total, 792 médicos peritos permanecem em teletrabalho e 1.571 são de agências que não estão aptas a fazer perícias presenciais.

Hoje há mais de 750 mil pessoas esperando uma perícia para receber algum benefício. O INSS calcula que a fila só vai diminuir daqui a três meses, ou seja, no fim de 2020.

Na segunda, venceu o prazo dado pelo Tribunal de Contas da União para que o governo apresentasse um plano para realizar as perícias à distância. Mas o INSS informou ao TCU que vai ter dificuldades para implantar a teleperícia.

Em um documento apresentado ao Tribunal de Contas, a Previdência alegou que "não existem medidas que se mostrem viáveis, do ponto de vista técnico, para realização de perícia por meio da telemedicina em um curto espaço de tempo, ainda em 2020”.

Destacou também que seria necessário, por exemplo, comprar equipamentos e melhorar a internet do INSS. E que o aumento gradual do número de agências e profissionais para fazer as perícias vai ser suficiente para atender a demanda atual.

Apesar dos argumentos, o TCU cobrou o início imediato da teleperícia. E o governo trabalha para apresentar um plano até semana que vem. A especialista em direito previdenciário Adriane Bramante afirma que o INSS e os peritos devem se esforçar para resolver o problema dos segurados.

“A gente está falando de pessoas, então o ideal seria que tudo isso já tivesse sido planejado, sim. E que pudessem agora abrir as agências com o atendimento que o segurado merece”, afirma Adriane, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário.

Fonte: O Globo


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