30/10/2018

Faltou trabalho para 27,3 milhões de pessoas no terceiro trimestre


Faltou trabalho para 27,3 milhões de pessoas no terceiro trimestre deste ano. No segundo trimestre de 2018, havia faltado trabalho para 27,6 milhões de brasileiros. Com isso, a chamada taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 23,9%, frente aos 24,6% do período entre abril e junho deste ano.

O indicador inclui os desempregados, os subocupados (que trabalham menos de 40 horas semanais) e a força de trabalho potencial (pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram trabalho, ou que procuraram, mas não estavam disponíveis para trabalhar).

Já a taxa de desemprego teve um leve recuo na comparação entre os dois trimestres. No período encerrado em setembro de 2018, ela estava em 11,9%, atingindo 12,5 milhões de trabalhadores. No período encerrado em junho deste ano, a taxa era de 12,4%, o que representava um grupo de 13 milhões de brasileiros sem uma vaga formal de emprego.

— Entrou 1,4 milhão de pessoas no grupo dos empregados, isso resgatou da desocupação 522 mil pessoas e reduziu significativamente a taxa de desemprego. É um dado muito bem-vindo. Entretanto, parte expressiva das pessoas que se empregaram ainda está concentrada nas vagas sem carteira e no trabalho por conta própria, que também é informal. — analisa Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. — Também ajudou na redução do desemprego o aumento do número de pessoas trabalhando menos horas do que gostariam, que foi recorde.

A taxa de desemprego voltou a ficar abaixo de 12% pela primeira vez desde o último trimestre de 2017, quando atingiu 11,8%.

Das 27,3 milhões de pessoas subutilizadas, 6,9 milhões estavam subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas, alta de 5,4% em relação ao trimestre anterior.

Desalento na máxima histórica

O desalento, condição de quem não procura emprego, que havia atingido recorde no segundo trimestre, permaneceu no mesmo patamar, atingindo 4,8 milhões de pessoas no terceiro trimestre do ano.

A população ocupada foi estimadam em 92,6 milhões de pessoas. Cresceu 1,5% em relação ao trimestre anterior. O número de empregados com carteira de trabalho assinada foi de 33 milhões, estabilidade em relação aos três meses anteriores.

Já os sem carteira segue crescendo, 4,7% ou mais 522 mil pessoas, nessa mesma comparação, para um total de 11,5 milhões de trabalhadores informais no setor privado.

O rendimento médio real habitual ficou em R$ 2.222, estável em relação ao trimestre anterior.

Foi a primeira vez depois de 13 trimestres seguidos que o emprego com carteira de trabalho parou de cair, quando feitas comparações com o mesmo trimestre do ano anterior.

Agricultura, devido ao período de colheita; construção, por meio de pequenos reparos; a alimentação, principalmente ambulantes, vendedores de quentinhas; foram as atividades que mais absorveram mão de obra no terceiro trimestre deste ano, destacou o IBGE.

Entenda os números

4,8 milhões de desalentados: São os trabalhadores que estão desempregados mas não procuraram vaga na semana em que o IBGE coletou os dados. Inclui quem se acha muito jovem, muito idoso, pouco experiente, sem qualificação ou acredita que não encontrará oportunidade no local onde reside. O número de desalentados é influenciado por vários fatores, até por notícias relacionadas à crise. Parte das pessoas que tem contato com informações sobre aumento de número de desempregados simplesmente desiste de procurar.

12,5 milhões de desempregados: São os brasileiros que procuraram uma vaga na semana da pesquisa do IBGE, mas não encontraram emprego.

6,9 milhões de subocupados: São brasileiros que fizeram algum tipo de trabalho, mas que dedicaram menos de 40 horas semanais a isso e gostariam de trabalhar por um período maior. Um profissional freelancer ou alguém que faça bicos e não está conseguindo muitos trabalhos se encaixa nessa situação.

Fonte: Jornal EXTRA



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