13/12/2018

Quase metade dos jovens empregados com nível superior está em postos de menor qualificação


Quase metade (44,2%) dos jovens empregados com diploma universitário está em postos de menor qualificação, segundo estudo divulgado pelo Ipea nesta quarta-feira. Esse percentual cresceu nos últimos quatro anos. Em 2014, eram 38,1%. Quando considerado o total de trabalhadores com curso superior, este índice é de 38% - o maior patamar da história. Os dados foram extraídos da pesquisa Pnad Contínua do IBGE, que é realizada desde 2012.

Segundo uma das autoras do estudo, a economista Maria Andreia Lameiras, é comum que crises econômicas, como a que ocorreu de 2014 a 2016 no Brasil, levem trabalhadores a ocuparem vagas abaixo da sua qualificação, devido ao medo do desemprego. Esse aumento foi maior no trabalho por conta própria. No começo de 2012, do total de trabalhadores empregados com diploma, 13% eram autônomos. Esse percentual subiu para 20% no terceiro trimestre de 2018.

A parcela de trabalhadores empregados com nível superior cresceu 6% em relação a um ano atrás (o terceiro trimestre de 2017). Essa expansão só não foi maior que a do subgrupo imediatamente inferior, composto por trabalhadores com ensino superior incompleto, cuja taxa de expansão no período foi de 6,5%. Os mais escolarizados formam o grupo com a menor taxa de desemprego, sinalizando que, de fato, um maior nível de instrução melhora não só a inserção como também a permanência no mercado de trabalho, apesar de boa parte estar ocupada em vagas que exigem menor escolaridade.

Um em cada 4 procura emprego há mais de 2 anos

O estudo do IPEA também mostra que, de cada quatro desempregados no trimestre encerrado em outubro deste ano, um está à procura de recolocação há mais de dois anos. O Brasil atualmente possui 12,7 milhões de desempregados.

O estudo ainda destaca que, em contrapartida, houve geração de mais de 790 mil novas vagas com carteira assinada em 2018, segundo os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

— Há uma recuperação moderada do mercado de trabalho no Brasil, mas com a informalidade ainda alta e com um aumento na população subocupada — analisa Maria Andreia.

Fonte: Jornal EXTRA


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