28/03/2019

Guedes bate boca com senadores sobre Previdência


Em audiência na CAE, ministro foi criticado ao se referir ao sistema previdenciário dos parlamentares

BRASÍLIA - Depois de três horas de audiência, o encontro entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e senadores na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) subiu de tom na tarde desta quarta-feira. O bate-boca ocorreu quando Guedes começou a responder a uma pergunta do senador Rogério Carvalho (PT-SE). O parlamentar havia questionado o ministro sobre o futuro do sistema de seguridade social, criticando o que chamou de ideologização do debate. O clima esquentou quando Guedes disse que o sistema não era tão fraterno, e fez referência ao sistema de aposentadoria de parlamentares.

— Você tem um sistema de seguridade que está aí há muitos anos. É muito solidário, muito fraterno, e ele quebrou. Financeiramente, ele  está quebrado. Aliás, ele não é tão fraterno como você acha. Tem gente que pode se aposentar ganhando 20 vezes… Você, por exemplo, como político pode se aposentar ganhando 20 vezes o que ganha um trabalhador. Eu acho isso ruim, acho isso errado — disse Guedes.

Nesse momento, o ministro foi interrompido pela senadora Kátia Abreu (PDT-TO), que afirmou que na verdade os parlamentares estão sujeitos ao teto do INSS. A tentativa de aparte foi rebatida por Guedes, que disse que era a vez dele de falar. Foi nesse momento que o presidente da CAE, Omar Azis (PSD/AM), entrou na discussão, afirmando que o ministro havia mandado a parlamentar "calar a boca".

— O senhor não vai desrespeitar senador e senadora não. O senhor é convidado. O senhor adiou três vezes aqui. Esses aqui são os verdadeiros representantes da sociedade brasileira — disparou Azis.

Depois de alguns minutos, chegou-se a um meio termo e Guedes voltou a falar. Disse que estava se referindo às disparidades de salários na Previdência, sem especificar se era sobre a classe política ou não.

— Eu sou assim também. Eu não quis desrespeitar ninguém, quis valer o meu tempo para responder— disse Guedes.

Fonte: O Globo


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