04/04/2019

Na CCJ, Guedes aponta bombas no sistema de Previdência atual


Segundo o ministro, o modelo atual é "um avião partindo para alto-mar sem combustível"

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, apontou quatro "bombas" que fazem da Previdência um sistema condenado. "É um avião partindo para alto-mar sem combustível”, afirmou.

A primeira bomba seria a demográfica. Com o passar do tempo, há mais pessoas prestes a se aposentar do que na ativa, financiando o sistema atual, de repartição. Pelo modelo de capitalização, defendido pelo ministro, cada pessoa será responsável pela própria aposentadoria, em uma espécie de poupança individual.

"O problema é tão dramático que, no ano passado, gastamos R$ 700 bilhões com Previdência, que é o passado, que são os nosso idosos. E R$ 70 bilhões com a educação, que é o nosso futuro. Gastamos 10 vezes mais com Previdência do que com o futuro, que é a educação", comentou Guedes.

A segunda bomba é a forma "perversa" como o sistema de aposentadorias é financiado. "Os idosos foram expulsos, excluídos do mercado formal de trabalho pela forma 'perversa' pela qual o sistema é financiado. Você está botando um trabalhador desempregado para financiar a aposentadoria do outro. Isso é perverso", declarou.

O ministro usou a palavra "perverso" pelo menos sete vezes para descrever o sistema. "Não vejo com olhar tão doce e gentil o sistema previdenciário atual", afirmou, em referência ao modelo de repartição, que, na opinião dele, é "geneticamente condenado" e exclui 40 milhões de brasileiros.

A terceira bomba seria a maneira de não levar recursos para o futuro, porque o financiamento da Previdência depende do aporte atual dos contribuintes. A quarta bomba seria o sistema de taxação, que o governo pretende tornar mais progressivo, "que taxe mais quem ganha mais". A ideia, segundo ele, é criar um sistema de "redução de desigualdades, remoção de privilégios e que receba, cada vez mais, um tratamento progressivo".

Por Alessandra Azevedo e Gabriela Vinhal
Fonte: Correio Braziliense


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