05/04/2019

Alckmin: para aprovar a Previdência, governo terá que mudar o projeto


Presidente nacional do PSDB esteve em reunião com o presidente da República, Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (4/4), no Palácio do Planalto

O presidente nacional do PSDB e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, esteve em reunião com o presidente da República, Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (4/4), no Palácio do Planalto. A reunião é uma tentativa do governo de se aproximar dos partidos para conseguir o apoio necessário para aprovar a reforma da Previdência no Congresso.

"Recebemos um convite do presidente e viemos ouví-lo. O diálogo é importante, a política precisa ser feita com civilidade. Conversarmos sobre a reforma, coloquei claramente que a posição do PSDB sempre foi da necessidade da reforma. Temos compromisso com o Brasil, com o interesse público", disse Alckmin.

Candidato à Presidência da República em 2018, o tucano disse que foi recebido por Bolsonaro com a seguinte frase: "eu votei em você", disse, em tom de brincadeira. Mas embora o clima tenha sido ameno, Geraldo Alckmin disse ao presidente que a reforma precisa se concentrar em dois pontos: a justiça social, com o corte de privilégios, e as questões fiscais.

"Não é possível permitir privilégios e é preciso proteger os que mais precisam. Também não é mais possível ter 5% do PIB de déficit somando regime geral da previdência e os regimes dos governos. Temos um sistema de distribuição de renda que é o regime geral da Previdência. São mais de 33 milhões de aposentados e pensionistas e 70% ganha o salário mínimo. A média é R$ 1.390 e ninguém ganha mais de R$ 5 mil. Sempre defendi o regime igual para todos. Em São Paulo, fiz desde 2011 a previdência complementar". 

De acordo com o ex-governador, é necessário que alguns pontos sejam alterados para que o PSDB embarque na reforma pesselista. "Idade mínima e tempo de transição. A reforma é muito complexa e detalhista. Não aprovaremos nenhum benefício menor que o salário mínimo. O nome já diz, é o mínimo. O BPC (Benefício de Prestação Continuada) nós somos contra, como a questão rural. Se há uma diferença na área urbana, precisa haver na rural", disse.

Geraldo Alckmin afirmou que o PSDB tem postura de independência em relação ao governo, que não aceitou nenhum tipo de troca e que mesmo sem um convite oficial para participar do governo, o partido não receberá cargos. "Votaremos pelo Brasil, para voltarmos a crescer, ter renda… O que a gente entender que não é justo, seremos contra. Não foi feito nenhum convite formal para o PSDB entrar no governo. Falamos das reformas, e essa (Previdência) é a primeira que o Brasil precisa".

Sobre um eventual prazo para aprovar a PEC, Alckmin disse que não foi discutido nenhum prazo, mas disse que o governo tem pressa. "O governo tem pressa, mas não citou nenhum prazo. Quanto mais rápido andar, melhor". Questionado sobre a eventual proximidade do PSDB, chamado de "representante da velha política" com o Planalto, o ex-governador de São Paulo disse que "não existe velha e nova política, existe boa e má política".

Por Bernardo Bittar

Fonte: Correio Braziliense



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