13/09/2018

Reforma da Previdência de Temer pode ser aprovada ainda neste ano se Meirelles for eleito


Principal assessor da área econômica do candidato Henrique Meirelles (MDB)à Presidência da República nas eleições 2018, o economista José Márcio Camargo disse ter expectativa de que se o ex-ministro da Fazenda for eleito em outubro, a Reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer (MDB), que já está no Congresso Nacional, pode ser aprovada ainda neste ano, com apoio do atual presidente e também de Rodrigo Maria, presidente da Câmara.

“Essa reforma poupa R$ 55 bilhões a R$ 60 bilhões por ano, uma poupança de R$550 bilhões a R$ 600 bilhões ao longo de dez anos. O déficit primário é R$ 139 bilhões neste ano. Se pouparmos R$ 55 bilhões, é metade”, disse o economista. Ele foi o entrevistado desta terça, 11, na série de sabatinas “Os Economistas das Eleições”, parceria do Estado com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) que reúne os profissionais responsáveis pela elaboração dos programas econômicos de governo dos principais candidatos à Presidência da República nas eleições 2018.

“A reforma ataca os privilégios dos funcionários públicos. Ela ataca as aposentadorias privilegiadas, principalmente do Judiciário, Executivo e Legislativo. Nossa avaliação é que se Meirelles for eleito, queremos aprovar essa reforma ainda em 2017, após as eleições. Acreditamos que Temer e Rodrigo Maia vão estar disponíveis para aprová-la ainda neste ano.”

Camargo também defendeu a proposta de uma reforma do orçamento do governo federal e uma reforma tributária. “Do total de 100% do orçamento do governo, 92% já está determinado e o presidente não pode mudar. E 8% que o governo pode manipular não são impositivos. Nossa proposta é acabar com isso. Diminuir as desvinculações e tornar o orçamento impositivo. A aprovação do orçamento será o momento mais importante da atividade parlamentar, como em qualquer democracia avançada. É uma reforma do sistema orçamentário para tornar o orçamento uma peça fundamental na definição de prioridades. Também queremos fazer uma reforma tributária para simplificar o sistema. Os candidatos falam mais ou menos na mesma linha, há certo consenso.”  

Camargo fez ponderações a respeito de dados recentes divulgados a respeito da taxa de ocupação do País depois da aprovação da reforma trabalhista no governo Temer, em vigor desde 2017. “É a primeira vez que temos o dado da forma como está sendo divulgado. Se dá muita ênfase ao fato de que está sendo criado muito emprego em tempo parcial. O IBGE classifica ele como um cara ocioso. A pergunta é: ‘o que é melhor: não ter emprego nenhum ou trabalhar 4 horas por dia?’. Esse nível da ociosidade da força de trabalho é porque a recuperação está sem seu início. A reforma trabalhista favoreceu a criação de contratos de tempo parcial, a flexibilização da jornada. Em vez de desempregado, o cara vai ter uma jornada de 4 horas.”

“A reforma é ótima, muito boa”, defendeu Camargo. “Faz coisas fundamentais, por exemplo na questão de dar opções de tipos de contrato, por diminuir a incerteza jurídica e por fazer o contrato de trabalho valer mais do que valia antes. Agora você pode negociar a jornada de trabalho, renegociar o salário, uma série de ajustes. Uma melhora espetacular nas relações de trabalho.”

Camargo foi o quinto entrevistado série promovida pelo Estado e pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da FGV. Também já foram sabatinados Marco Antônio Rocha, da campanha de Guilherme Boulos (PSOL); André Lara Resende (de Marina Silva,da Rede); Gustavo Franco (de João Amoêdo, do Novo) e Marcio Pochmann (da chapa petista).

Estão previstas ainda mais três sabatinas. No dia 18, com Mauro Benevides, economista da equipe de Ciro Gomes (PDT). Três dias depois, a entrevista será com Persio Arida, da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB). Fecha a série de sabatinas o economista Paulo Guedes, guru econômico de Jair Bolsonaro (PSL), no dia 3 de outubro.

Todos os eventos são abertos ao público, sujeito a lotação do auditório da FGV, com entrada gratuita e inscrições pelo site da universidade. Veja a programação abaixo.

Além de Camargo, já participaram:

07/08 - Marco Antonio Rocha (campanha de Guilherme Boulos);
10/08 - André Lara Resende (campanha de Marina);
16/08 - Gustavo Franco (campanha de Amoêdo);
23/08 - Marcio Pochmann (campanha do PT).

Próximos:

18/09 - Mauro Benevides (campanha de Ciro);
21/09 - Pérsio Arida (campanha de Alckmin);
03/10 - Paulo Guedes (campanha de Bolsonaro)

Fonte: Estadão



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